sexta-feira, 30 de abril de 2010

Tomado: Callabriga Douro 2004

Esse eu tomei!
Na companhia dos amigos Marcello Pedroso e Chede, no restaurante Abuelo, na Rua Sabugi, perto da cidade jardim. Aliás, muito bom esse restaurante argentino, comemos uma fraldinha/vacio de primeira linha !!
O vinho: O produtor é ligado à Casa Ferreirinha, e o vinho é feito de uvas da Quinta da Leda, com as castas tinta roriz, touriga nacional e touriga franca.
Tem um estilo mais moderno do que os tradicionais vinhos da C.Ferreirinha, mas ainda assim representa bem a região.
Um vinho amaciado pelos 12 meses em carvalho, com coloração rubi, aromas de frutas vermelhas, com sabor frutado e presença de madeira no final de boca. Bem macio e fácil de beber, sem muita complexidade.
Nada de extraordinário, mas melhor que muito chileno e argentino, porque, apesar da madeira aparente, não há muito exagero - bomba de fruta ou carvalho até 'abaunilhar'.
Foi uma boa pedida, acompanhou muito bem a carne.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O Primeiro Champagne Brut (seco)

Hoje é muito comum o champagne brut, provavelmente a maioria das pessoas, quando pensa em champagne, pensa no espumante seco.
Mas não foi sempre assim. Aliás, por séculos o champagne produzido foi exclusivamente do tipo doce.
Muitos produtores até que pensaram em fazer champagne brut, ou seco, mas esta missão não era muito atraente, pois envolvia um alto custo para o desenvolvimento de uma bebida seca de qualidade, além de representar um risco enorme, pois o mercado existente nos séculos XVIII e XIX não estavam habituados e, pior, estavam acostumados ao champagne doce, como fonte de prazer, alegria e comemoração.
Mas um produtor, ou melhor, uma produtora, teve a coragem de desenvolver a produção de um champagne seco e de alta qualidade.
Foi Louise Pommery que aceitou o desafio de selecionar uvas melhores, maduras (o que era difícil, em razão do clima frio da região - aguardar a maturação completa poderia fazer com que a uva passasse do ponto, na época era comum colher antes para não arriscar), e de arcar com o custo de manter o champagne envelhecendo por três anos (ao invés de um ano, como ocorria com o doce): Outros produtores, como Louis Roederer, se recusavam a produzir champagne sem aditivos (açúcar ou álcool), para não perderem seus preciosos mercados, como a Rússia, que consumia muito os champagnes doces.
A maioria dos produtores e dos próprios empregados da Pommery eram céticos sobre a possibilidade de se fazer um bom champagne seco, as tentativas geravam bebidas ásperas e difíceis de beber.
O pior é que entre 1870 e 1873 as colheitas da região foram prejudicadas pelo tempo ruim, fazendo com que os champagnes secos produzidos pela Pommery não atingissem boa qualidade, dificultando muito sua difusão e venda.
No entanto, em 1874 a Pommery teve uma safra considerada a melhor do século, o que permitiu a elaboração de um champagne seco memorável, que atingiu preços altíssimos e mudou o conceito do consumidor.
O Brut 74 da Pommery foi o primeiro champagne realmente seco a ser vendido comercialmente, o que transformou a vinícola em uma das maiores e principais casas de Champagne.
Interessante transcrever o discurso do gerente financeiro da Pommery, após provar o Brut 74, conforme reproduzido no livro dos Kladstrup, sempre citado aqui:
"Nosso brut é dirigido apenas às pessoas que apreciam bebidas espumantes requintadas, que preferem finesse e bouquet ao excesso de gás e açúcar com que algumas casas costumam encobrir a fragilidade de seus vinhos. Depois que a rolha estoura, nosso champagne satisfaz o paladar e não somente os ouvidos."

O sucesso foi tão grande que Louise Pommery se tornou um verdadeiro mito na região de Champagne.O seu funeral, em 1890, foi o primeiro funeral de Estado organizado pelo governo francês a uma mulher, tendo havido o comparecimento de 20 mil pessoas, inclusive representantes do governo. O presidente da França até mesmo mudou o nome de uma cidade em sua homenagem. A cidade de Chigny, onde ficava sua casa de campo - ela adorava plantar rosas - passou a se chamar Chigny-les-Roses.

Grande mulher, graças a ela temos hoje os fabulosos champagnes secos.
Não é à toa que o champagne brut é hoje o mais popular e nobre dos espumantes !!

Tomado: Vinha Grande 2006, Casa Ferreirinha

Esse eu tomei!
Ontem, jantando na casa do Carlão após o jogo do tricolor.
Excelente vinho, daqueles que demonstram terroir, que não se parecem com nenhum outro.
O produtor dispensa comentários e o vinho, apesar de não ser top de linha, tem um grande custo benefício (custa cerca de 88 reais na Zahil - se chorar tem desconto). Muito bom.
Senti aromas de frutas e vegetais, até um pouco de couro (estou começando a viadar mesmo). O corpo é médio e macio, desce fácil, com final de boca razoavelmente persistente.
Um vinho muito bem feito, peculiar e redondo na boca. Tomamos com um folhado de presunto, queijo e molho de tomate, acompanhou bem. Mas acho que deve cair bem com massas e carnes também.
Vale experimentar para fugir da mesmisse dos vinhos amadeirados e padronizados, especialmente do novo mundo.

PS: Reparem no decanter do Carlos, que luxo....quando crescer quero ter um igual.

Tomado: Viñamar Chardonnay 2006 Reserva Especial

Esse eu tomei!
Ontem, na casa do Carlão, jogando futebol de botão/mesa (fazia tempo...) enquanto aguardávamos o início do jogo do tricolor pela libertadores. Reparem a homenagem ao Barça, que tomou um sacode iá-iá da Inter, merecido...
O vinho: Não se trata de um vinho caro, mas por ser denominado de Reserva Especial (ainda tem o Reserva e o básico) esperava muito mais. Fico com pena dos outros vinhos da linha.
O aroma tem aquela fruta forte típica do chardonnay, mas havia muita presença de madeira também. O sabor encorpado, agradável no começo, mas o final de boca apresentou muita madeira e muito álcool.
Não vale a compra. O Maria Gomes do Luis Pato é mais barato e muito mais agradável.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A célebre frase de Napoleão sobre o Champagne (e a causa de sua derrota!!)

Todos já devem ter ouvido falar que Napoleão adorava champagne, pois é muito conhecida sua frase:

"Na vitória, você o merece; na derrota, você precisa dele."

Napoleão - reparem no sabre na poltrona, para abrir champagnes

Pois é, ele gostava mesmo do mais famoso espumante do mundo. Apesar de normalmente ser abstêmio, e de comer pouco, ele nunca dispensava um cálice de champagne para restaurar as forças e animar seu espírito.


Mas ele não apenas gostava do champagne, como era amigo pessoal de Jean-Rémy Moët, herdeiro e dirigente da casa de mesmo nome.




O curioso é que Napoleão sempre passava por Épernay, na região da champagne, antes de cada uma de suas campanhas militares. Sempre visitava o amigo Jean para tomar um champagne e abastecer-se de algumas garrafas para sua jornada.
No entanto, parece que ele deixou de cumprir esta rotina simpática em uma de suas campanhas militares, porque estava apressado.
Pois é, foi bem na ocasião em que ele estava a caminho de Waterloo.... não preciso nem dizer que ele não levou a sorte dos champagnes...
Por isso, quando for para a guerra, não esqueça de tomar um champagne antes !!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Tomado: Gran Feudo Crianza 2005 Julián Chivite

Esse eu tomei!
Em um agradável almoço com dois amigos, clientes do escritório, no tradicional Adega Santiago.
Como tínhamos que voltar ao trabalho dividimos esta meia-garrafa em três.
Foi uma boa pedida, é um crianza típico, bem arredondado. Seu corte é 70% Tempranillo, 25% Garnacha, 5% Cabernet Sauvignon.
O evidente sabor de madeira denuncia seus 12 meses em barrica, exigência a todos os crianzas.
Excelente custo benefício, esta meia-garrafa custa aproximadamente R$ 25,00 na Mistral.
Em suma, é um vinho fácil de beber. Harmonizou bem como meu escalope ao vinho do porto e pimenta rosa.
Ótima opção para o dia-a-dia, deve harmonizar bem com quase todos os pratos.

ESSE EU TOMEI ! agora tem cartão de visitas !!

Luís XV e sua grande colaboração ao Champagne

Já falamos aqui do Rei Louis XV, também conhecido nas esquinas do Brasil como Luís XV. Veja aqui uma fotinho/pintura desta grande figura:

Este rei francês teve grande importância para o Champagne, pois foi o primeiro a legislar para estabelecer padrões para o vinho espumante.

Ele estabeleceu uma uniformidade para as garrafas, que eram feitas de todos os tipos e tamanhos, criando um padrão de forma e de volume, assim como um padrão para as rolhas e seu método de fechamento - "deveriam ser amarradas com barbante de três fios, bem torcido e trespassado em forma de cruz sobre a rolha".

No entanto, sua contribuição mais importante foi permitir que a partir de 1728 o Champagne pudesse ser transportado e comercializado diretamente em garrafas.

Até então os vinhos eram transportados em tonéis de madeira, pois era assim que os preços eram estabelecidos - por tonel.
Para os tintos e brancos isso não era problema, mas para um espumante o transporte na madeira era um desastre, já que a natureza porosa do material permitia que as bolhas de gás escapassem, deixando o champagne choco.


Não foi à toa, portanto, que Luís XV recebeu uma homenagem da Maison de Venoge, uma ótima produtora da região. Vejam abaixo a garrafa vintage, de um champagne envelhecido e muito renomado:


A Taça da Maria Antonieta e o Flûte

Atendendo a pedido do Carlão, esclareço que a taça mostrada no post abaixo (Louis Roederer) é proveniente de uma lenda, um mito. Não se tem registros desta inspiração nos seios da Maria Antonieta, mas acho que algum fundo de verdade essa estória tem.
Acho que foi um mito criado por alguns bebuns franceses que, nas altas horas das loucuras viníferas nas Tabernas, demonstravam seu desejo de possuir a famosa rainha, que devia ser um tipo de sex symbol da época, agitando as mentes perturbadas dos boêmios.
Já o flûte, como diz meu pai, deve ter sido inspirado nos dotes de Napoleão, um amante do champagne...

Brincadeiras a parte, tecnicamente, a taça da Maria Antonieta não é muito boa, pois sua área de contato com o ar é muito grande, fazendo com que as bolhas do champagne se percam muito rapidamente.
Foi por esse motivo que se criou o flûte, já que nele a área de contato é pequena e as bolhas são preservadas por mais tempo, o que ajuda a manter os aromas e o sabor.
No entanto, para champagnes vintage, mais complexos, o recomendável é uma taça intermediária, entre o flûte e uma taça de vinho branco, ou seja, longa mas com o bocal um pouco mais aberto (veja a Taça Sommelier) . Só assim se pode desfrutar de todos os aromas e sabores de um champagne de primeira linha.

Reproduzo abaixo texto do Marcello Copello no site Mar de vinho:

Taça “Maria Antonieta” – Até os anos 1960 taça mais comum para os espumantes era baixa e aberta, vista em muitos filmes hollywoodianos, onde formavam pirâmides de onde jorravam e cascatas de Champagne, enquanto Ginger e Fred dançavam ao som de Porter ou Gershwin. Esta taça, diz a lenda, teria sido moldada nos seios da rainha Maria Antonieta. Glamour à parte, nos espumantes tudo gira em torno da perlage, o conjunto de pequenas bolhas que brotam do fundo da taça e o formato de boca larga desta taça não facilita a formação de espuma, deixando fugir todos os aromas, além de a pequena altura não permitir o correto desprendimento das bolhas.

Flûte – o formato mais aceito hoje é flute, ou “flauta”, estreita e comprida, para que, com sua pequena superfície de evaporação, conserve melhor o gás. Por este mesmo motivo não é recomendado “girar” a flute ao degustar. O ideal é enchê-la em ao menos dois terços, para que se possa apreciar melhor a coreografia das pérolas que sobem. A flûte privilegia o aspecto visual, pois as bolhas podem ser vistas subindo lindamente. Seu formato estreito ajuda a manter as bolhas por mais tempo, pois a área de evaporação é menor. Para espumantes mais simples e jovens, leves e sem compromisso, o flûte é o ideal, por outro lado este formato não é adequado para espumantes mais complexos.

Copo de vinho de mesa: copos grandes de vinhos de mesa, tipo Bordeaux ou Borgonha podem ser muito bons também para espumantes e vêm sendo adotados por muitos restaurantes e produtores de vinho, pois privilegiam os aromas da bebida sem prejudicar sua perlage, bastando para isso que a quantidade servida de cada vez seja pequena. Este tipo de recipiente também ajuda a manter a temperatura do líquido, já que pouco é servido e a maioria da bebida permanece na garrafa, que pode estar em um balde com gelo.

Tulipa e novos modelos: Alguns produtores de copos como os já citados Riedel, Spiegelau e L’Esprit et le Vin já elaboraram copos dedicados aos espumantes mais encorpados e complexos, que merecem ter seus aromas evidenciados. Estes modelos parecem ser um meio termo entre o flûte e o copo do vinho de mesa, assemelhando-se a uma tulipa. São alongados como um flauta, porém alargam-se bastante antes de se fechar nas bordas. Alguns, também são pontudos em sua base, no fundo do copo, o que aumenta a liberação das bolinhas. Existe ainda um modelo, da L’Esprit et le Vin, da linha “Impitoyable”, de aparência exótica e com um algo mais. Além dos atributos descritos acima, possui superfície interna totalmente irregular, na forma de pequenos diamantes, o que, segundo o fabricante, aumenta a liberação das bolinhas. Nos espumantes, a liberação das bolinhas colabora muito para a liberação dos aromas dentro do copo, o que também é ajudado pelo espaço interno maior do recipiente. Este copo hight-tech só tem um defeito, seu alto custo, sai por US$ 99,50 cada unidade na Mistral.
O que fazer, então, com o belíssimo jogo de taças baixas de Champagne, feitas em cristal Baccarat rosa que você herdou? Ou com aqueles lindos cálices de base verde escuro, presente de casamento? A sugestão é: não seja radical e use-as, de preferência quando receber a visita de quem as presenteou. Tenha apenas a consciência de que não estará tirando o máximo proveito de sua bebida predileta.

Tomado: Champagne Louis Roederer - Brut Premier

Esse eu tomei!
Excelente Champagne. Seco na medida, ótimo aperitivo.
Perlage também na medida, muito sabor.
Esse é um dos meus preferidos, ao lado do Laurent-Perrier.
Tomei no domigo (25/04/2010), no primeiro almoço na casa nova do Rica e da Sá.
Tomaram: eu, a Gi, meus pais, os anfitriões e até vovó.
Atentem que esse é o champagne mais simples do mesmo produtor da consagrada "Cristal" (Rodrigão, ainda vamos tomar uma dessa!).
Tomamos em copos variados, meu pai preferiu uma daquelas taças à moda antiga, bem rasinhas. Como esta:

Dizem que este modelo de taça foi inventado por Luis XVI, reproduzindo o seio esquerdo (o do coração é claro) de sua esposa Maria Antonieta.
Agora, imagine se ele fosse casado com alguma mulher fruta... Seria uma magnum por taça...rs...
E quem inventou as taças tipo "flute"? Estava inspirado em quê? E você? Prefere champange em que tipo de copo, "flute" ou "Maria Antonieta"?
P.S.: Ze Olinto, a polêmica do sapato já está superada.

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