quinta-feira, 13 de maio de 2010

Eu e o Zé (nóis) na Champagne

Antes de fazer meu último post sobre as crayères da Champagne, não resisti às lembranças de um tempo já um pouco distante, mas inesquecível, de quando visitei a região de Champagne.
Estive lá duas vezes, a primeira em 1995 (com meus pais) e a segunda em 1999 (com meus pais e a Taci).
Achei ontem em casa essas fotos e as coloco aqui em especial homenagem ao Zé Olinto, meu pai, também conhecido pela alcunha que ele detesta: Zé Meulindo.
Pai, homenagem a seu aniversário - 12/05. Olha como estávamos bem na foto...Essas são de 1995, eu tinha só 20 aninhos.

Nóis na Moët & Chandon

Zé na cachoeira de champagne - Moët

Na Rua Jean Moët

Zé visitando a viúva

Bons tempos. Espero que tenhamos a oportunidade de voltar lá juntos... desta vez para provar muitos champagnes para o blog !

A Primeira Guerra e a Champagne - O Refúgio nas Caves (les crayères)

Como eu já havia comentado no post anterior sobre a Champagne, durante a primeira guerra mundial a região foi extremamente devastada, os bombardeios alemães se concentraram muito nesta localidade, destruindo não só as cidades, os monumentos, como também parte dos vinhedos e das casas produtoras de champagne.
Por esta razão, em Reims, tudo o que havia antes na superfície foi deslocado para dentro das infindáveis caves das casas de champagne.
Nelas foram 'instaladas' escolas, igrejas, clínicas e cafés. Até a prefeitura se mudou para o subterrâneo, juntamente com a polícia e os bombeiros.
O mesmo ocorreu com o comércio: alfaiates, costureiras, sapateiros, açougueiros, padeiros e outras atividades instalaram lojas nas crayères.
As pessoas viveram por muito tempo neste mundo surreal (houve quem permaneceu até 2 anos), sombrio, movido à luz de velas e lampiões de querosene, onde, apesar de tudo, havia esperança, onde até os passarinhos ainda cantavam mesmo sem ver o sol (relatos descritos no livro "Champanhe").
Havia também concertos, cabarés, cinema e apresentações de teatro. Até artistas de outras regiões vinham se apresentar por considerarem uma honra atuar para os sobreviventes da região que viviam no subterrâneo.
Nao bastasse, a solidariedade com a região foi tanta que as visitas de personalidades, jornalistas, políticos, embaixadores estrangeiros e até do presidente francês se tornaram frequentes.
Dizem que em uma ocasião, nas adegas da Veuve Clicquot, foi oferecido até mesmo um jantar luxuoso, regado a caixas de champagne, especialmente para soldados feridos e mutilados.
Não achei fotos da cave da Veuve Clicquot, mas achei essa aqui que mostra uma mesa de jantar nas caves da Moët Chandon, apenas para ilustrar como se pode por um pouco de luxo na vida subterrânea, ainda que seja só para esquecer um pouco da selvageria da guerra:

Para finalizar, interessante mencionar que as caves/crayères não só serviram de refugio para muitos civis e soldados feridos, como também foram usados para que os soldados franceses se locomovessem por quilômetros até o front de batalha, sem se arriscarem na superfície.

Os túneis e galerias foram interligados e permitiam até mesmo o resgate de feridos de forma eficiente. Os soldados, às vezes, caminhavam 6, 7 km por dentro das caves para chegar ao front.

Algo realmente surreal!

Tomado: Château Mouton Rothschild 1993

Esse eu tomei!
Na casa do meu amigo Edu Nobre no último sábado (08/05/2010). Como percebem, o Edu (o fantasma que aparece na foto) é um cara que tem uma adega que só não é invejada pelos melhores amigos porque ele a compartilha conosco. Quando se trata de Bordeaux então, nem se fala.
Diz a lenda que, outro dia, a empregada dele, pensando em uma noite quente com o maridão, resolveu se apropriar de um garrafa de vinho do "Seu Edu". Como ela não queria sacanear o patrão, escolheu uma garrafa das que ele tinha "mais repetidas"... O marido dela se esbanjou com um Château Haut-Brion 1988. Dizem que foi o melhor ponche que eles já tomaram...
Mas esse da foto não virou ponche, tomamos assim mesmo em situação natural, apenas o decantamos por uns 40 minutos. Acompanhou um excelente macarrão ao molho de tomate e pesto vermelho preparado pelo Edu com a minha assessoria.
Por óbvio esse vinho dispensa comentários. Simplesmente o melhor vinho que eu já tomei. Pode-se dizer que é o paradigma para um grande vinho. Fruta intensa, equilibrado, suave, macio, aveludado, complexo e etc. Logo no primeiro gole já surpreende, uma explosão de sabores.
Embora seja um vinho de 17 anos, ainda está muito vivo. Percebe-se que é um vinho de idade, mas ainda está intenso, uma intensidade que não agride, redonda. Um espetáculo. Acompanhou muito bem o macarrão.
O Château Mouton Rothschild foi o último vinho a receber a classificação de "Premier Grand Cru Classé", em 1953, juntando-se aos também lendários Château Margaux, Château Latour, Château Lafite Rothschild e Château Haut-Brion.
Uma curiosidade é que a cada safra um artista plástico diferente é convidado para estampar o rótulo do Château Mouton Rothschild, neste ano (1993) o escolhido foi o artista Bathus que estampou uma garota nua. O rótulo foi um escândalo e, por mais incrível que possa parecer, foi proibido de ser comercializado nos EE. UU. obrigando o Château a produzir uma série do vinho com o rótulo sem a obra, exclusivamente para atender o hipócrita mercado americano.
Confesso que não consigo entender essa estória, em 1993 a Madona já tinha gravado o clipe de Like a Virgin que circulava diariamente na MTV a mais de 10 anos! Ora... e essa peladinha do Bathus... Nem o Homer Simpson conseguira explicar essa dos nossos irmãos do norte... Veja no detalhe quanto erotismo na imagem:
Realmente não dá pra entender. Mas o que importa é que o vinho é um espetáculo, os franceses deveriam ter privado os Yankees desta maravilha. O melhor de tudo é que o Edu ainda tem mais dois desses na adega dele.
Candidatíssimo ao melhor do mês.
P.S.: Estou postando a esta hora da madrugada pois fui repreendido pela minha mulher, disse que estou relaxando com o blog. In verbis: "Só o Peixe (Rodrigo) bloga! Você só bebe e não bloga nada!" Prometo ser mais aplicado. Amanhã tem mais, tô com uns 5 vinhos no estoque de posts.
P.S.2: dia 7 estaremos no encontro Mistral. Vou de taxi.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Les Crayères - As infindáveis caves da Champagne

Já estava com saudades de escrever sobre a Champagne e o Champagne.

Mais uma vez inspirado no livro "Champanhe", de Don e Petie Kladstrup, gostaria de falar sobre as crayères, conhecidas em bom português como caves calcárias.

O livro menciona as crayères em razão de falar sobre a fuga dos habitantes de Reims para as caves das casas de champagne, em decorrência dos bombardeios alemães durante a 1ª Guerra Mundial. A cidade de Reims, uma das mais - senão a mais - importantes da Champagne, ficou destruída, até a grande catedral ficou em ruínas...uma pena.

Estima-se que na região da Champagne haja cerca de 500 km (isso mesmo, 500 !) de túneis e galerias em vários níveis.

Passagen na cave da Ruinart, a primeira casa de champagne

As Crayères parecem não ter fim...

Boa parte desses túneis foram feitos ainda pelos Romanos (mais especificamente por seus escravos), que criaram as crayéres retirando pedras calcárias do subterrâneo para a pavimentação de estradas e para a construção de Durocortorum, o nome romano de Reims.
Na Idade Média, no entanto, os frades descobriram que as cavidades criadas pelos romanos eram perfeitas para estocar os vinhos, pois mantinham uma temperatura fria e constante. Assim as caves, ou crayères, foram alongadas e moldadas até atingirem os atuais 500 km, servindo de local de produção e armazenagem das casas produtoras de Champagne.
Crayère já sendo utilizada pelos champagnes

Momento atual - Crayére da Moët Chandon em visita turística

Feita essa apresentação, posteriormente 'postarei' mais duas histórias sobre as crayères, uma sobre o seu uso durante a guerra e outra um pouco mais atual....aguardem.

terça-feira, 11 de maio de 2010

O Encontro Mistral está chegando


Nesse eu vou... acho que dia 07 de junho.
Melhor reservar rápido porque são apenas 3 dias em São Paulo, com 200 ingressos por dia.
Para obter o telefone e mais informações: http://www.mistral.com.br/encontro/
Detalhe importante: ingressos a R$ 290,00 ! (ainda acho que vale à pena, pois pode-se experimentar muita coisa boa)

Tomado: Luigi Bosca Malbec Reserva 2007

Esse eu tomei!
No dia 08/05, comendo uma torta de frango na casa do meu querido Avô Geraldo, que já está batendo os 95 anos de idade...E comemorava seus 70 anos de casados....que fôlego!
O vinho: Este é mais um daqueles argentinos que jogam em qualquer posição, não fazem feio, mas não trazem nada de novo ou original.
Um vinho muito bom, feito por um ótimo produtor da região de Mendoza. Saboroso, bem frutado e amadeirado, com aqueles toques adocicados e abaunilhados. Com bons taninos e redondinho para beber. Acompanhou bem a comida.
No estilo mais moderno do novo mundo.
Gosto desses vinhos, mas se tomasse sempre iria enjoar...um pouco de terroir e originalidade às vezes faz falta.

Tomado: Crasto 2007

Esse eu tomei!
Em 08/05, com o casal de amigos Marcel e Daniela, além da Taci, no restaurante Alfama dos Marinheiros, na Rua Pamplona. Ouvindo um Fado....Comendo uma perdiz com batatas...Antes de tomar uma dose de um Pousada tawny 20 anos (e de comer um pastel de santa clara).
O vinho: Pareceu-me ter aromas mais vegetais, com alguma fruta. Vinho bem encorpado, tânico, com boa acidez. Vinho para acompanhar comida, ficaria muito pesado sozinho.
Com a comida ficou realmente mais macio e acompanhou muito bem.
Um belo vinho que deve custar, em importadoras, uns 60 ou 70 reais.
Um portuga típico, pancadão!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Tomado: Porto Ferreira Reserva Dona Antonia

Esse eu tomei!
Este porto a minha tia Eneida trouxe de Portugal recentemente. Tomamos na companhia de um bolo de doce de leite e nozes - muito bom, diga-se de passagem.
Já é um porto de bom nível, envelhecido 8 anos. Muito saboroso e com pouquíssima sensação de álcool. Já tem aromas mais acastanhados e um sabor se distanciando das frutas para encontrar nozes, amêndoas e toques de madeira e tostados.
Como eu já falei aqui anteriormente, esses tawnys com pelo menos 7 ou 8 anos de envelhecimento já agradam muito. Para mim é onde começa o prazer. Para ter sempre!

Tomado: Cava Sumarroca Reserva Brut 2005

Esse eu tomei!
Foi o espumante de abertura do almoço de dia das mães, realizado na casa da minha querida tia Eneida. Aliás, me foi dada a honra de escolher entre os espumantes que a Eneida tinha na adega, tendo escolhido essa Cava (que não conhecia) em homenagem ao anfitrião, o nobre magistrado Carlos - vou omitir o sobrenome por questão de segredo de justiça.... - que é descendente de espanhóis.
Esse espumante mostrou uma perlage densa e abundante. Na boca se mostrou fresca, frutada e com muito boa persistência. Muito gostosa. Escolhi bem.
Acompanhou bem os aperitivos, especialmente o Serra da Estrela da foto, trazido recentemente de Portugal.

Ficha técnica no site da World Wine, onde é vendida por R$ 65,00:

Pais: Espanha
Uva: Chardonnay(7%), Macabeo(27%), Parellada(42%), Xarel.lo(24%)
Produtor: Sumarroca
Tipo: Espumante

Descrição: A família Sumarroca condensa toda a essência da atividade vitivinícola, combinando tradição e capacidade inovadora, além da paixão pela terra e a busca constante pela excelência. A vinícola está situada entre os vilarejos de Sant Sarduní d'Anoia e Monistrol d'Anoia, possui 470 hectares e é o segundo maior em extensão de vinhas de Penedés. Cultiva tanto as uvas européias quanto a Macabeo, Xare-lo e Parellada, tradicionais da região e responsáveis pelos famosos espumantes espanhóis, os Cavas. Comprometida com o projeto "Vinhas do Mundo" plantou, junto com as Universidades de Davis e de Rovira i Virgili, 400 tipos de vitis viniferas diferentes, para estudos profundos.

Tomado: Côtes du Rhône Les Moirets 2006

Esse eu tomei!
Foi o vinho que meu avô Solon (mais um enófilo da família) levou para o almoço de dia das mães.
Acompanhou um filet mignon recheado e um gnocchi gigante recheado com queijo.
Confesso que não esperava muito do vinho, pois os Côtes du Rhône são normalmente vinhos simples.
Esse me surpreendeu positivamente, pois apenar de não ser um show de complexidade, é um vinho muito frutado e saboroso, bem redondo, sem excesso de álcool no final de boca. Um vinho de médio corpo que acompanhou bem a comida.
Uma ótima pedida, especialmente por custar perto de 40 reais na Expand. Vinho para comprar de caixa.

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