quarta-feira, 28 de abril de 2010

A célebre frase de Napoleão sobre o Champagne (e a causa de sua derrota!!)

Todos já devem ter ouvido falar que Napoleão adorava champagne, pois é muito conhecida sua frase:

"Na vitória, você o merece; na derrota, você precisa dele."

Napoleão - reparem no sabre na poltrona, para abrir champagnes

Pois é, ele gostava mesmo do mais famoso espumante do mundo. Apesar de normalmente ser abstêmio, e de comer pouco, ele nunca dispensava um cálice de champagne para restaurar as forças e animar seu espírito.


Mas ele não apenas gostava do champagne, como era amigo pessoal de Jean-Rémy Moët, herdeiro e dirigente da casa de mesmo nome.




O curioso é que Napoleão sempre passava por Épernay, na região da champagne, antes de cada uma de suas campanhas militares. Sempre visitava o amigo Jean para tomar um champagne e abastecer-se de algumas garrafas para sua jornada.
No entanto, parece que ele deixou de cumprir esta rotina simpática em uma de suas campanhas militares, porque estava apressado.
Pois é, foi bem na ocasião em que ele estava a caminho de Waterloo.... não preciso nem dizer que ele não levou a sorte dos champagnes...
Por isso, quando for para a guerra, não esqueça de tomar um champagne antes !!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Tomado: Gran Feudo Crianza 2005 Julián Chivite

Esse eu tomei!
Em um agradável almoço com dois amigos, clientes do escritório, no tradicional Adega Santiago.
Como tínhamos que voltar ao trabalho dividimos esta meia-garrafa em três.
Foi uma boa pedida, é um crianza típico, bem arredondado. Seu corte é 70% Tempranillo, 25% Garnacha, 5% Cabernet Sauvignon.
O evidente sabor de madeira denuncia seus 12 meses em barrica, exigência a todos os crianzas.
Excelente custo benefício, esta meia-garrafa custa aproximadamente R$ 25,00 na Mistral.
Em suma, é um vinho fácil de beber. Harmonizou bem como meu escalope ao vinho do porto e pimenta rosa.
Ótima opção para o dia-a-dia, deve harmonizar bem com quase todos os pratos.

ESSE EU TOMEI ! agora tem cartão de visitas !!

Luís XV e sua grande colaboração ao Champagne

Já falamos aqui do Rei Louis XV, também conhecido nas esquinas do Brasil como Luís XV. Veja aqui uma fotinho/pintura desta grande figura:

Este rei francês teve grande importância para o Champagne, pois foi o primeiro a legislar para estabelecer padrões para o vinho espumante.

Ele estabeleceu uma uniformidade para as garrafas, que eram feitas de todos os tipos e tamanhos, criando um padrão de forma e de volume, assim como um padrão para as rolhas e seu método de fechamento - "deveriam ser amarradas com barbante de três fios, bem torcido e trespassado em forma de cruz sobre a rolha".

No entanto, sua contribuição mais importante foi permitir que a partir de 1728 o Champagne pudesse ser transportado e comercializado diretamente em garrafas.

Até então os vinhos eram transportados em tonéis de madeira, pois era assim que os preços eram estabelecidos - por tonel.
Para os tintos e brancos isso não era problema, mas para um espumante o transporte na madeira era um desastre, já que a natureza porosa do material permitia que as bolhas de gás escapassem, deixando o champagne choco.


Não foi à toa, portanto, que Luís XV recebeu uma homenagem da Maison de Venoge, uma ótima produtora da região. Vejam abaixo a garrafa vintage, de um champagne envelhecido e muito renomado:


A Taça da Maria Antonieta e o Flûte

Atendendo a pedido do Carlão, esclareço que a taça mostrada no post abaixo (Louis Roederer) é proveniente de uma lenda, um mito. Não se tem registros desta inspiração nos seios da Maria Antonieta, mas acho que algum fundo de verdade essa estória tem.
Acho que foi um mito criado por alguns bebuns franceses que, nas altas horas das loucuras viníferas nas Tabernas, demonstravam seu desejo de possuir a famosa rainha, que devia ser um tipo de sex symbol da época, agitando as mentes perturbadas dos boêmios.
Já o flûte, como diz meu pai, deve ter sido inspirado nos dotes de Napoleão, um amante do champagne...

Brincadeiras a parte, tecnicamente, a taça da Maria Antonieta não é muito boa, pois sua área de contato com o ar é muito grande, fazendo com que as bolhas do champagne se percam muito rapidamente.
Foi por esse motivo que se criou o flûte, já que nele a área de contato é pequena e as bolhas são preservadas por mais tempo, o que ajuda a manter os aromas e o sabor.
No entanto, para champagnes vintage, mais complexos, o recomendável é uma taça intermediária, entre o flûte e uma taça de vinho branco, ou seja, longa mas com o bocal um pouco mais aberto (veja a Taça Sommelier) . Só assim se pode desfrutar de todos os aromas e sabores de um champagne de primeira linha.

Reproduzo abaixo texto do Marcello Copello no site Mar de vinho:

Taça “Maria Antonieta” – Até os anos 1960 taça mais comum para os espumantes era baixa e aberta, vista em muitos filmes hollywoodianos, onde formavam pirâmides de onde jorravam e cascatas de Champagne, enquanto Ginger e Fred dançavam ao som de Porter ou Gershwin. Esta taça, diz a lenda, teria sido moldada nos seios da rainha Maria Antonieta. Glamour à parte, nos espumantes tudo gira em torno da perlage, o conjunto de pequenas bolhas que brotam do fundo da taça e o formato de boca larga desta taça não facilita a formação de espuma, deixando fugir todos os aromas, além de a pequena altura não permitir o correto desprendimento das bolhas.

Flûte – o formato mais aceito hoje é flute, ou “flauta”, estreita e comprida, para que, com sua pequena superfície de evaporação, conserve melhor o gás. Por este mesmo motivo não é recomendado “girar” a flute ao degustar. O ideal é enchê-la em ao menos dois terços, para que se possa apreciar melhor a coreografia das pérolas que sobem. A flûte privilegia o aspecto visual, pois as bolhas podem ser vistas subindo lindamente. Seu formato estreito ajuda a manter as bolhas por mais tempo, pois a área de evaporação é menor. Para espumantes mais simples e jovens, leves e sem compromisso, o flûte é o ideal, por outro lado este formato não é adequado para espumantes mais complexos.

Copo de vinho de mesa: copos grandes de vinhos de mesa, tipo Bordeaux ou Borgonha podem ser muito bons também para espumantes e vêm sendo adotados por muitos restaurantes e produtores de vinho, pois privilegiam os aromas da bebida sem prejudicar sua perlage, bastando para isso que a quantidade servida de cada vez seja pequena. Este tipo de recipiente também ajuda a manter a temperatura do líquido, já que pouco é servido e a maioria da bebida permanece na garrafa, que pode estar em um balde com gelo.

Tulipa e novos modelos: Alguns produtores de copos como os já citados Riedel, Spiegelau e L’Esprit et le Vin já elaboraram copos dedicados aos espumantes mais encorpados e complexos, que merecem ter seus aromas evidenciados. Estes modelos parecem ser um meio termo entre o flûte e o copo do vinho de mesa, assemelhando-se a uma tulipa. São alongados como um flauta, porém alargam-se bastante antes de se fechar nas bordas. Alguns, também são pontudos em sua base, no fundo do copo, o que aumenta a liberação das bolinhas. Existe ainda um modelo, da L’Esprit et le Vin, da linha “Impitoyable”, de aparência exótica e com um algo mais. Além dos atributos descritos acima, possui superfície interna totalmente irregular, na forma de pequenos diamantes, o que, segundo o fabricante, aumenta a liberação das bolinhas. Nos espumantes, a liberação das bolinhas colabora muito para a liberação dos aromas dentro do copo, o que também é ajudado pelo espaço interno maior do recipiente. Este copo hight-tech só tem um defeito, seu alto custo, sai por US$ 99,50 cada unidade na Mistral.
O que fazer, então, com o belíssimo jogo de taças baixas de Champagne, feitas em cristal Baccarat rosa que você herdou? Ou com aqueles lindos cálices de base verde escuro, presente de casamento? A sugestão é: não seja radical e use-as, de preferência quando receber a visita de quem as presenteou. Tenha apenas a consciência de que não estará tirando o máximo proveito de sua bebida predileta.

Tomado: Champagne Louis Roederer - Brut Premier

Esse eu tomei!
Excelente Champagne. Seco na medida, ótimo aperitivo.
Perlage também na medida, muito sabor.
Esse é um dos meus preferidos, ao lado do Laurent-Perrier.
Tomei no domigo (25/04/2010), no primeiro almoço na casa nova do Rica e da Sá.
Tomaram: eu, a Gi, meus pais, os anfitriões e até vovó.
Atentem que esse é o champagne mais simples do mesmo produtor da consagrada "Cristal" (Rodrigão, ainda vamos tomar uma dessa!).
Tomamos em copos variados, meu pai preferiu uma daquelas taças à moda antiga, bem rasinhas. Como esta:

Dizem que este modelo de taça foi inventado por Luis XVI, reproduzindo o seio esquerdo (o do coração é claro) de sua esposa Maria Antonieta.
Agora, imagine se ele fosse casado com alguma mulher fruta... Seria uma magnum por taça...rs...
E quem inventou as taças tipo "flute"? Estava inspirado em quê? E você? Prefere champange em que tipo de copo, "flute" ou "Maria Antonieta"?
P.S.: Ze Olinto, a polêmica do sapato já está superada.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

D.O.M. é eleito o 18º melhor restaurante do mundo

Do site da UOL:

O chef Alex Atala conseguiu mais uma vez. O restaurante D.O.M. foi eleito o 18º melhor restaurante do mundo pelo S. Pellegrino World’s 50 Best Restaurants, promovido pela revista inglesa "Restaurant", que todos os anos premia os 50 melhores do planeta. O restaurante paulistano é o único da América do Sul a figurar nesse ranking.

"Este foi um ano diferente e atípico, com grandes subidas e descidas [entre os os melhores]. Estou muito satisfeito com essa colocação e muito feliz por mais uma vez estar entre os 50 melhores do mundo. Gostaria de ver mais sul-americanos e brasileiros neste prêmio", disse Atala, de Londres, onde recebeu o prêmio.

A lista dos melhores do mundo traz o D.O.M pelo quinto ano consecutivo. Em 2006, o restaurante ficou em 50ª; em 2007, em 38º lugar; em 2008, obteve a 40ª posição; e em 2009, ficou com o 24º lugar.

O restaurante dinamarquês Noma, comandado pelo chef René Redzepi em Copenhagen, foi eleito o melhor do planeta, ocupando o lugar do El Bulli, do chef catalão Ferran Adrià,que caiu para a segunda posição.

Veja abaixo a lista completa dos 50 melhores restaurantes do mundo:

1- Noma Denmark – Dinamarca
2- El Bulli – Espanha
3- The Fat Duck – Reino Unido
4- El Celler de Can Roca – Espanha
5- Mugaritz – Espanha
6- Osteria Francescana – Itália
7- Alinea – Estados Unidos
8- Daniel – Estados Unidos
9- Arzak – Espanha
10- Per Se – Estados Unidos
11- Le Chateaubriand – França
12- La Colombe – África do Sul
13- Pierre Gagnaire – França
14- Hotel de Ville – Suíça
15- Le Bernardin – Estados Unidos
16- L’Astrance – França
17- Hof van Cleve – Bélgica
18- D.O.M. – Brasil
19- Oud Sluis – Holanda
20- Le Calandre – Itália
21- Steirereck – Áustria
22- Vendome – Alemanha
23- Chez Dominique – Finlândia
24- Les Créations de Narisawa – Japão
25- Mathias Dahlgren – Suécia
26- Momofuku Ssam Bar – Estados Unidos
27- Quay – Austrália
28- Iggy’s – Cingapura
29- L'Atelier de Joel Rebuchon
30- Schloss Schauenstein – Suíça
31- Le Quartier Francais – África do Sul
32- The French Laundry – Estados Unidos
33- Martin Berasategui – Espanha
34- Aqua – Alemanha
35- Combal Zero – Itália
36- Dal Pescatore – Itália
37- De Librije – Holanda
38- Tetsuya’s – Austrália
39- Jaan par Andre – Cingapura
40- Il Canto – Itália
41- Alain Ducasse au Plaza Athenee – França
42- Oaxen Krog – Suécia
43- St John – Reino Unido
44- La Maison Troisgros – França
45- WD-50 – Estados Unidos
46- Biko – México
47- Die Schwarzwaldstube – Alemanha
48- Nihonryori RyuGin – Japão
49- Hibiscus – Reino Unido
50- Eleven Madison Park – Estados Unidos

O Champagne e a Maionese !! (nada em comum... ou quase)

Mais curiosidades sobre o Champagne:

O viticultor Claude Moët (o nome dispensa apresentações) foi o primeiro produtor da região de Champagne a se dedicar exclusivamente ao vinho champagne espumante - os demais ainda produziam paralelamente os tintos de mesa.

Por volta de 1750 Moët já produzia 50.000 garrafas do champagne espumante, por ano.

Claude Moët acabou fazendo amizade com diversas jovens que frequentavam o Palácio de Versalhes, entre elas a madame Pompadour, que era amante oficial de Luís XV (pois é, lá na França tinha esse negócio de amante oficial...):


A Madame adorava champagne e por isso o Luís XV virou um cliente assíduo do Moët, o que garantiu que a bebida fosse servida em todas as ocasiões importantes do palácio.

Até aí, o que a Maionese tem a ver com o champagne ???

Nada, não fosse uma história interessante relatada no livro dos Kladstrup, retirada de anotações e cartas de uma criada da Madame Pompadour, que acompanhava frequentemente as conversas dela com o Rei.

Numa dessas conversas, Luís XV faz um brinde, com champagne é claro, para comemorar a vitória de Richelieu na cidade de Mahon, na ilha de Menorca.

A Madame, já sorrindo muito - champagne faz milagre, brincou que o duque Richelieu conquista uma cidade com a mesma satisfação que seduz um mulher.

Luís XV registrou, no entanto, que Richelieu havia achado a conquista enfadonha, porque não havia mulheres na cidade e seu único consolo foi a bebida e a comida.

Foi quando, então, a Madame Pompadour relatou que o cozinheiro do Richelieu teve de fazer peripécias para cozinhar, pois na ilha não havia manteiga, nem creme, de modo que ele teve que preparar um molho usando apenas azeite e ovos.

Richelieu teria adorado o molho e o batizou de "Mahonaise", em homenagem à cidade de Mahon.

Ou seja, a maionese vem de Mahonaise, sendo fruto da criatividade de um cozinheiro com falta de ingredientes para um molho.

E o que isso tem a ver com o Champagne ???

Nada, nada mesmo. Apenas que o Champagne é sempre motivo para boas conversas e histórias...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Champagne e a Máscara de Ferro


Por muito tempo os produtores de champagne não conseguiam controlar de forma eficaz a formação do gás carbônico na bebida, elemento que lhe dá a efervecência e o perlage.

Em razão disso, a concentração do gás carbônico muitas vezes se elevava demais, especialmente porque após o inverno - com o aumento da temperatura local - o vinho entrava em um segundo processo de fermentação.

Esse excesso de gás carbônico fazia com que muitas garrafas explodissem. Os produtores chegavam a perder, por esta razão, de 20% a absurdos 90% das garrafas de champagne. Um verdadeiro desperdício.

Porém, o curioso é que entre os produtores o champagne acabou ficando conhecido como "Vinho do Diabo", sendo que ninguém tinha coragem de entrar na adega sem primeiro colocar uma máscara de ferro.

As máscaras eram uma versão mais tosca das atuais máscaras de hockey.

Assim, os produtores andavam pelas adegas com máscaras de ferro, o que não evitava que a maioria deles tivesse cicatrizes próximas aos olhos e nas mãos.

Era realmente um inferno borbulhante....

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Champagne - mais curiosidades

Seguindo com as curiosidades sobre o Champagne e a Champagne, faço agora uma homenagem para a Taci linda, minha russinha preferida.
Um dos primeiros países a comprar e a consumir quantidades relevantes do champagne espumante foi a Rússia. Por um bom tempo o mercado russo foi o maior importador da bebida, e parece que até hoje o champagne faz sucesso por lá.
Segundo o livro dos Kladstrup, Pedro o Grande levava quatro garrafas para a cama com ele toda a noite. E sua filha Elizabeth - czarina, tornou-se a primeira governante a determinar que o champagne fosse o vinho oficial dos brindes, substituindo o tokay (Tokaji, da Hungria).
E finalmente, mas não menos importante e curioso, a famosa Czarina Catarina, cujo apetite sexual é lendário, usava o champagne para fortificar seus jovens oficiais...que depravação...que delícia de bebida...

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